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BETHEL ASSEMBLY OF GOD

ASSEMBLÉIA DE DEUS BETHEL

bethel@webbethel.com 

[Robson Brito] [Ricardo Gondim]

 

A Teologia Relacional e a Onisciência Divina
Ricardo Gondim Rodrigues
Todos os cristãos concordam sobre a onisciência divina, ou o conhecimento perfeito de Deus. Inclusive aqueles que defendem uma Teologia Relacional. Quando se discute sobre a relacionalidade de Deus, precisamos vencer os nossos paradigmas antigos e não reagir emocionalmente. Noto que as pessoas resistem pensar sobre os atributos divinos, por temerem qualquer afirmação que diminua seus conceitos a respeito de Deus. Um desses paradigmas envolve a Onisciência Divina.

Vejamos que as implicações daquilo que chamamos de onisciência são diversas.

A visão mais tradicional da teologia clássica é que Deus conhece todas as coisas, passadas, presentes, e futuras. Mais ainda, a teologia clássica afirma que todas as coisas são conhecidas de Deus, não porque ele tenha conhecimento delas, mas porque ele as determinou desde sempre. Na teologia clássica o tempo é uma prisão dos mortais, Deus não está no tempo, não experimenta tempo. Ele vê tudo que já aconteceu no passado, tudo o que acontece agora e tudo o que acontecerá no futuro, como algo que já "acontecido".

Na Teologia Relacional, não há contradição com a teologia clássica na afirmação de que Deus conhece perfeitamente o passado e o presente. A polêmica nasce quando se pensa sobre o futuro! Quanto ao futuro, podemos afirmar:

1.   Deus conhece algumas dimensões do futuro, não por já existirem, mas por Ele haver soberanamente decretado que um dia elas acontecerão - o que explica as profecias, principalmente as messiânicas.

2.   O futuro não está exaustivamente determinado, pois Deus criou pessoas para relacionamentos e os relacionamentos exigem liberdade de arbítrio. Homens e mulheres tomam decisões e geram novas realidades.

3.   Deus soberanamente escolheu relacionar-se com os seres humanos de forma interativa, amorosamente chamando-nos para sermos cooperadores com ele na criação do futuro.

4.   A Bíblia afirma repetidas vezes que futuras ações de Deus dependem do comportamento de seres humanos.

A compreensão da teologia clássica sobre o futuro e sobre o conhecimento exaustivo que Deus tem do futuro está clara (a citação abaixo vem do Calvinismo):

"Quando afirmamos que Deus tem presciência, estamos dizendo que todas as coisas sempre estiveram e perpetuamente estarão diante dos olhos de Deus; tanto que para ele, nada é passado ou futuro, todas as coisas são para Deus, sempre presente. "

Portanto, a visão mais comum que as pessoas têm de Deus é que ele possui não apenas todo o conhecimento, mas ele possui toda a presciência.


Uma Teologia Relacional contradiz esse conceito calvinista:

Na Teologia Relacional (TR) o conceito de onisciência compreende a afirmação de que Deus conhece tudo o que é passível de conhecimento, ou que pode ser conhecido. Assim, na TR não redimensionamos a onisciência divina, apenas o nosso conceito de futuro. Se dissermos que todo o futuro já está completamente determinado, absolutamente realizado, então Deus conhece todo o futuro. Se dissermos que Deus chamou homens e mulheres para construírem um novo futuro, e que este futuro ainda não existe, podemos dizer que este futuro não pode ser conhecido. Torna-se necessário enfatizar. O futuro não pode ser conhecido não porque Deus seja limitado, mas porque ainda não existe. Insisto: nisto não limitamos a Deus. Apenas afirmamos que ele amorosamente nos convocou para sermos arquitetos do amanhã:

Jeremias 18.7-10.

ALGUNS CONCEITOS SOBRE A ONISCIÊNCIA.

Há nas escrituras pelos menos 40 textos em que Deus muda seus pensamentos, se arrepende - Ex. 32.14 - 33.14 - Num. 14.12 -Jeremias 26.19 – Jeremias 42.10-12. Significa dizer que o futuro ainda está em aberto e que Deus é livre para mudar suas ações, baseado nas ações humanas. I Cro. 21.13-15.

Há inúmeras passagens bíblicas em que o futuro planejado por Deus foi frustrado, e que as ações humanas o feriram, pois ele esperava um procedimento e ocorreu outro - Mateus 23.37 - Atos 7.51 - Lucas 7.30. - 2Pe 2.9 - Pro. 10.27 e Ec 7.17. A Bíblia não responsabiliza Deus pelos pecados dos homens, pelo contrário, mostra categoricamente que as ações humanas ferem a Deus que não queria aquele caminho - compare o Salmo 139.16 com I Samuel 12.7-9.

Deus testa seus filhos e age de acordo com suas respostas - Ex. 16.4 - Deut. 8.2 - Deut 13.3 - Juízes 3.4. - I Sm 2.30 - 2 Cro 12.6-7 - 2 Cron. 16.9 - Salmo 81.13-14.

O futuro é futuro também para Deus. Gn 1.3-5 - Gn 6.5-8, 13 - Ex. 32.10-12,14 - Deut. 8.2 - Deut 13.3. Em Jeremias 7.13 e 8.3, 22.4-5 há dois futuros possíveis para Israel.

Há diversas passagens em que Deus afirma estar incerto sobre o comportamento futuro do povo - Jeremias 26.2-3 veja também 36.3 e7; Isaías 47.12; Lucas 20.13.

Há várias passagens em que consulta seus filhos e os inclui em futuras decisões - Gênesis 18.7-22 - Êxodo 32.7-14.

Deus faz perguntas legítimas sobre o seu comportamento - não são mera retórica mas refletem o conselho de Deus em tomar decisões - Jeremias 5.7,9. Algumas perguntas que usualmente surgem em nossas cabeças:

a)   O futuro já está determinado? Embora Deus tenha determinado alguns aspectos do futuro, está claro que há alternativas, decisões novas e juízos que dependem da ação humana. Portanto, nem todo o futuro está predeterminado.
b)   Quando afirmo que Deus não experimenta o tempo, o que estou querendo dizer com isso? Se você disser que ele não tem passado, presente ou futuro, você está querendo dizer que ele vive eternamente com todas as coisas acontecendo ao mesmo tempo. Essa é a teologia clássica. Se você disser que para Deus há uma sucessão de eventos, você quer dizer que Deus experimenta o tempo. A diferença entre Deus e os seres humanos é que ele não sofre o desgaste do tempo. 
 

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