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O Reino
de Deus e o Pacifismo.
Ricardo
Gondim.
O oriente
médio continua sangrando ódio. O George W. Bush e seus conselheiros
capitanearam uma louca aventura militar, sem avaliarem as devidas
consequências. Guerrearam pensando que ainda respiravam o ambiente do século
XX, não se deram conta que um rio silencioso trazia para o terceiro milênio
novas lamas, novos ódios, novas estratégias de morte.
Imaginavam construirem uma democracia exemplar invadindo um país, ferindo os
brios de uma nação. Acreditavam que bastava destituírem um ditador que não
lhes convinha mais, para ganharem o amor de um povo que já fora colonizado e
que detestava a idéia de um novo império lhes dominando. Resultado:
atolaram-se em um pântano de ódio e suspeitas. Para piorar ainda a situação,
ajudaram a florescer novos grupos terroristas, reacenderam ressentimentos
entre o cristianismo e o islamismo; impediram que a palavra tolerância
voltasse à agenda mundial.
A
inconsequência política do governo Bush tornou o nosso mundo menos seguro,
vulnerabilizou a ONU, aprofundou o abismo cultural entre árabes e
ocidentais, ostracisou os países pobres; agora todos vivemos sob o manto
escuro do medo.
Vintila
Horia, pensador romeno escreveu um romance excepcional “Deus Nasceu no
Exílio”. Em um dos trechos Olvídio, poeta romano, protagonista da história,
dialoga com um caponês sobre o belicismo imperial de Roma.
“-
Podíamos viver em paz, se não tivéssemos medo uns dos outros. O medo faz-nos
falar linguagens diferentes. E a vida torna-se numa guerra sem fim, a vida é
a guerra, cada vez mais, a cada dia que passa. E fabricam-se armas, em vez
de se inventarem palavras de paz. Já que trabalhas as palavras como eu
trabalho a terra, porque não inventas a palavra da paz?
- A
palavra paz? Iremos procurá-la ainda durante muito tempo. Porque é uma
palavra que não se inventa. Os homens hão de encontrá-la um dia, como uma
flor rara na beira de um longo caminho. Mas o tempo desta alegria ainda não
chegou. Nascerão e morrerão na terra milhares de poetas, glorificados em
línguas ininteligíveis umas para as outras. E, mesmo que encontrássemos hoje
essa palavra de paz, teriam ainda de passar séculos antes de ela se tornar
um bem comum a todos os homens, inteligível para todos. Porque o seu sentido
não é fácil de apreender, sobretudo, quando as armas que trazemos são o
reflexo de apelos agudos do fundo dos nossos corações. Explicar o verdadeiro
sentido desta palavra, não será a missão do poeta?”
Desejo
aceitar esse mandato: Farei da paz a minha missão.
Soli Deo
Gloria.
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